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XVII CONGRESSO IBERCOM
Comunicação, identidades e diálogo na sociedade midiatizada
O processo de globalização econômico-tecnológico e de mundialização cultural alcançado até o final da década de 1980 conferiu impulso renovado à dinâmica expansiva do modelo civilizatório que, desde o final do século XV, se autolegitimou como próprio de toda a humanidade. A partir desses movimentos caracterizados pela crescente celeridade, se intensificou a interdependência das economias e a convergência das culturas rumo à consolidação do projeto de homogeneização do capitalismo contemporâneo.
Enquanto produção, circulação e o consumo se desterritorializaram e deram lugar a uma “classe de compra global” – que compartilha valores, gostos e aspirações – as tecnologias de informação e comunicação, cada vez mais inovadoras, digitais e móveis, inundaram os mais diversos aspectos da vida em sociedade e se ergueram como espaço novo e indispensável onde ocorrem não apenas a gestão geral dos recursos, mas também, a socialização de indivíduos e grupos como as relações entre governantes e cidadãos, inclusive, as relações interestatais.
Surgiu assim a tensão global-local interpretada de modo contraditório como oportunidade para estimular o desenvolvimento e suas esperadas consequências niveladoras ou, pelo extremo da crítica, uma ação avassaladora e impositiva que provoca maior diferença social e desigualdades.
De qualquer modo, um resultado inegável desses acontecimentos é a evidente mediatização das sociedades, o que supõe readequação ou transformação de práticas em Administração, Educação, Saúde, Trabalho, Informação, Produção Cultural e ócio em face do vertiginoso crescimento urbano mundial que representa pouco mais de um terço da população do planeta vivendo nos subúrbios das grandes cidades congregando entre 10 e 40 milhões de pessoas.
Assim, as cidades – estimadas em torno de 500 mil pela Organização das Nações Unidas – representam um território complexo e superlotado. A previsão é de que, ao longo da próxima década, mais 1 milhão de habitantes se integre aos centros urbanos, o que resultará no surgimento de cerca de 400 novas metrópoles. Considera-se que no entorno de cada uma dessas cidades se multipliquem, aos montes, vantagens, problemas, demandas e conflitos que tragam consigo a globalização e a mundialização anteriormente citadas. Além disso, devem se revelar, de forma frequente, no Sul e no Norte, demonstrações contra a falta de sustentabilidade que ameaça a vida no planeta que busca medidas capazes a serem exigidas para evitar a catástrofe.
Como se sabe, a urbanização é um dos componentes do mito do progresso infinito moderno Ocidental, atualizado recentemente com a utopia tecnológica expressada na midiatização (ou melhor, na hiper mediatização) das sociedades. Essa utopia é a mesma que pretende pensar que as tecnologias de informação e comunicação, que dão base à chamada Cidade Inteligente, vão garantir a gestão sustentável dos recursos e as necessidades para a garantia de melhor qualidade de vida para toda a humanidade.
Com essa confiança excessiva nas “soluções tecnológicas”, das quais dependeriam a cidadania e a governança democrática, instalam-se as expectativas no que diz respeito à reconfiguração das identidades. As antigas maneiras de definir esses sentidos de pertencimento como forma de assegurar um território ou uma determinada configuração estatal deixaram de ser pertinentes porque se dissolveram pelas novas lógicas de sistemas que pareciam dar conta do mundo. As várias fronteiras identitárias pré-existentes perderam força e aquelas previstas atualmente são móveis, com deslocamentos, exceção a algumas que se definem estratégicas, porém, se ajustam às condições e tipos das negociações que se dão entre o global e o local.
Nesse cenário, as identidades podem ser mais “micro” do que “macro”, setoriais e não totalizadoras apesar de se distinguirem com certa volatilidade. A mediatização e a urbanização participam claramente da construção dessas identidades, o que confirma o caráter histórico de sua existência relacionada às circunstâncias e particularidades dos contextos sociais nos quais se emergem, se mantém e se modificam.
E ainda nesse cenário de mudanças, em que pese, predomine constantemente a corrente uniformizadora, se visualizam a diversidade de culturas, os múltiplos projetos de vida e, consequentemente, a variedade de universos que compõem o mundo em paralelo ao diálogo polifônico, de sentidos. A versão plural se projeta então como opção para proporcionar à humanidade, além da competição interrompida pela sobrevivência, uma vida conduzida pela convivência digna em paz e com direito a todos.
Por fim, a Comunicação é ao mesmo tempo fonte de expressão dessa pluralidade cuja combinação somente terminará de ser factível frente ao encontro dialógico. A esse propósito, sem dúvida, a mediatização poderá servir como ferramenta de extrema importância.
O questionamento da universalidade que resiste e se sustenta pela modernidade ocidental está se tornando tema central da agenda pública internacional, assunto que necessariamente envolve o âmbito da Comunicação.
Pela situação descrita e pelas potencialidades anunciadas a favor da substituição do monólogo e da universalidade etnocêntrica predominantes, surge um amplo e promissor espectro de problemas entendidos como campos de conhecimentos e práticas que podem e devem ser superados pela Comunicação. Por isso, o Congresso IBERCOM 2022 se torna, com esperança, um espaço para a deliberação pluralista e para os consensos sobre estas temáticas.
Erick R. Torrico V.
Mais informações em: https://ocs.letras.up.pt/index.php/ibercom/index/schedConfs/current
Comunicación, identidades y diálogo en la sociedad mediatizada
El proceso de globalización económico-tecnológica y de mundialización cultural que arrancó hacia finales de la década de 1980 dio un renovado impulso a la dinámica expansiva del modelo civilizatorio que desde finales del siglo XV se autolegitimó como propio de toda la humanidad. Con esos movimientos, caracterizados por una alta y creciente celeridad, se intensificó la interdependencia de las economías y la convergencia de las culturas; todo eso, por supuesto, en dirección a la consolidación del proyecto homogeneizador del capitalismo contemporáneo.
Mientras la producción, la circulación y el consumo se desterritorializaron y dieron lugar a una “clase compradora global” –que comparte valores, gustos y aspiraciones–, las cada vez más innovadoras, digitales y móviles tecnologías informativo-comunicacionales inundaron los más diversos aspectos de la vida en sociedad y se irguieron como el nuevo e indispensable espacio en que ocurren no solamente la gestión general de los recursos sino, igualmente, la socialización de individuos y grupos, las relaciones entre gobernantes y ciudadanos e inclusive los vínculos interestatales.
Surgió, así, la tensión global-local, interpretada contradictoriamente como una oportunidad para estimular el desarrollo y sus esperadas consecuencias niveladoras o, en el extremo de la crítica, como una acción avasalladora e impositiva que, por tanto, más bien provoca una mayor diferenciación social y desigualdades.
En todo caso, un resultado innegable de estos acontecimientos es la evidente mediatización de las sociedades, con lo que ello supone de readecuación o transformación de prácticas en materia de administración, educación, salud, trabajo, información, producción cultural y ocio, lo que a su vez se insertó en la vertiginosa subida mundial del crecimiento urbano, que comprende a poco más de un tercio de la población del planeta viviendo en aglomeraciones paulatinamente más grandes, algunas de las cuales congregan entre diez y cuarenta millones de personas.
De ese modo, las ciudades –calculadas al presente en alrededor de 500 mil por las Naciones Unidas– representan un territorio complejo y superpoblado, al mismo tiempo que de síntesis. En el primer caso, se prevé que durante la próxima década otros mil millones de habitantes se integrarán a los centros urbanos, con lo que nacerán cerca de 400 nuevas metrópolis; en tanto que en el segundo se considera que en cada uno de estos entornos citadinos se reproducen a escala las ventajas, los problemas, las demandas y las pugnas que traen consigo la globalización y la mundialización antes referidas, así como se despliegan cada vez más frecuentes demostraciones, en el Sur pero asimismo en el Norte, que protestan contra la insostenibilidad que amenaza la vida en el planeta y que exigen medidas capaces de evitar la catástrofe.
La urbanización, como es sabido, es uno de los componentes del mito moderno-occidental del progreso infinito, el cual ha sido actualizado en tiempos recientes con la tecno-utopía expresada en la mediatización (o quizá, mejor, la hipermediatización) de las sociedades, misma que pretende hacer pensar que las tecnologías informativo-comunicacionales, base de la llamada “ciudad inteligente”, asegurarán la gestión sostenible de los recursos y las necesidades, a la par que garantizarán una mejor calidad de vida para el conjunto de los seres humanos.
Junto a esa extremada confianza en las “soluciones tecnológicas”, de las cuales dependerían, además, la ciudadanía y la gobernanza democráticas, se instalan las expectativas respecto a la reconformación de las identidades. Los antiguos modos de definir estos sentidos de pertenencia, relacionados con la adscripción a un territorio dado o a una determinada configuración estatal, dejaron ya de ser pertinentes debido a que tales esencias quedaron disueltas por las nuevas lógicas sistémicas que parecieran haberse hecho cargo del mundo. Los diversos tipos de fronteras identitarias que preexistían se han difuminado y las que pueden dibujarse hoy son movibles, registran constantes desplazamientos, aparte de que algunos las definen como estratégicas, pues se ajustan a las condiciones y formas de las negociaciones que se dan entre lo global y lo local.
En ese cuadro, las identidades pueden ser más micro que macro, sectoriales y no totalizantes, y hasta se distinguen por una cierta volatilidad. La mediatización y la urbanización participan claramente en la construcción de estas identidades, lo que confirma el carácter histórico de su existencia, es decir, su relación con las circunstancias y particularidades de los contextos societales en que emergen, se mantienen o se modifican.
Y es en este escenario de cambios donde, pese al influjo constante de la corriente uniformizadora, se hace visible la diversidad de culturas, de proyectos vitales múltiples, y, consiguientemente, la variedad de mundos de que está hecho el mundo, junto a la urgencia del diálogo polifónico, del multílogo. Lo pluriversal se levanta, entonces, como la opción para llevar a la humanidad más allá de la competencia ininterrumpida por la supervivencia y para conducirla en busca de una vida y de una convivencia dignas, con derechos para todos y en paz.
Por ende, la comunicación es tanto fuente como expresión de ese pluriverso cuya concreción sólo terminará de ser factible mediante el encuentro dialógico, propósito para el que, sin duda, la mediatización podrá servir como una herramienta de la mayor importancia.
El cuestionamiento de la vieja universalidad alentada y sostenida por la modernidad occidental va camino de constituirse hoy en un tema central de la agenda pública internacional, asunto que necesariamente implica al ámbito de la comunicación.
De la situación descrita, y de las potencialidades que se anuncian en el reemplazo del monólogo y la universalidad etnocéntrica todavía predominantes, se deriva un amplio como promisorio espectro de problemas que, como campo de conocimientos y prácticas, la comunicación puede y debe contribuir a superar. El Congreso IBERCOM 2022 se ofrece como una palestra para la deliberación pluralista y los consensos acerca de estas materias y esperanzas.
Erick R. Torrico V.
Más información sobre el congreso en: https://ocs.letras.up.pt/index.php/ibercom/index/schedConfs/current
XVI CONGRESSO IBERCOM

O XVI Congresso IBERCOM aconteceu no período de 27 de março a 29 de novembro de 2019, na Universidade Javeriana, em Bogotá, Colômbia. Nesta edição, o tema central abordado foi “Comunicação, Violência e Transições”.
XV CONGRESSO IBERCOM

O XV Congresso IBERCOM aconteceu no período de 16 e 18 de novembro de 2017, na Universidade Católica Portuguesa, Lisboa, Portugal. O tema central foi “Comunicação, Diversidade e Tolerância”. A ideia foi reafirmar o espaço ibero-americano de reflexão e debate dos estudos de comunicação, explorando, a partir de diferentes eixos temáticos, processos e produtos comunicacionais – nos seus desdobramentos históricos, locais e globais; nas produções de memórias; nos modos de consumo e suas experiências; nas implicações em esferas políticas e econômicas; nas dinâmicas socioculturais; nos novos cenários de mídias – conectados em um mundo marcado crescentemente pela diversidade, debatendo o papel da comunicação na promoção da tolerância e do respeito às diferenças.
O Congresso foi organizado pela Associação Ibero-americana de Pesquisadores da Comunicação (ASSIBERCOM), em parceria com o Centro de Estudos de Comunicação e Cultura (CECC), Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (FCH-UCP).
XIV CONGRESSO IBERCOM

O XIV Congresso IBERCOM aconteceu no período de 29 de março a 02 de abril de 2015, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), no Brasil. Nesta edição, o tema central abordado foi “Comunicação, Cultura e Mídias Sociais”. O evento reuniu 84 sessões, sendo 741 trabalhos apresentados, com a presença de 54 coordenadores.
A edição foi promovida e realizada pela parceria entre a ASSIBERCOM (Associação Ibero-Americana de Comunicação), a ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo), e a SOCICOM (Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação). Devido ao tamanho do Congresso, além da ECA-USP, também foi utilizada a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da Universidade de São Paulo.
Para a execução do evento, contou-se com o apoio e patrocínio da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), do PPGCOM-USP (Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da USP) e do CND – Comunicação Corporativa. Além da parceria com a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo e com o CONFIBERCOM (Confederação Ibero-Americana das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação).
Após a realização do evento, nota-se que o intercâmbio feito deixa um grande e positivo legado para as próximas edições. O IBERCOM 2015 chegou a cerca de 1.200 congressistas, ultrapassando as expectativas iniciais. Os trabalhos foram selecionados por quatro peer reviews, que são os quatro coordenadores de cada Coordenação Colegiada das DTI (Divisões Temáticas IBERCOM).
XIII CONGRESSO IBERCOM

O XIII Congresso IBERCOM aconteceu no ano de 2013, na Faculdade de Ciências da Comunicação da Universidade de Santiago de Compostela. Na edição, o tema do evento foi “Comunicação, Cultura e Esferas de Poder”, alcançando o total de 52 mesas e 341 exposições.
Um dos marcos do IBERCOM 2013 foi a instauração das Divisões Temáticas IBERCOM (DTI), as quais coube a função aglutinadora e consolidadora das pesquisas que se realizam na Ibero-América, para que os pesquisadores dessa área geo-cultural possam, desde então, cada vez mais se conhecer e criar ou reforçar laços intelectuais e afetivos. Por isso, as DTI nascem com coordenações colegiadas, reunindo na coordenação de uma mesma DTI colegas espanhóis, portugueses e latino-americanos/brasileiros. A partir da primeira edição a ASSIBERCOM preocupa-se em constantemente aperfeiçoá-las, a fim de que a entidade se torne mais e mais representativa da unidade e diversidade que marcam o campo da pesquisa da Comunicação na Ibero-América.
O local do evento, Santiago de Compostela, a cidade-símbolo da viagem como transformação, é referência nos estudos americanistas, e a Faculdade de Ciências da Comunicação, sede do Congresso, acolheu, entre outros eventos, o II Congresso Ibero-americano de Jornalismo Digital (2003), VII Congresso Lusocom (2006), o Congresso fundacional da AEIC (2008) ou o Encontro Real-Code, Comunicação e Desenvolvimento (2011). Ademais, o Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade de Santiago tem acumulado uma longa experiência na organização de cursos de doutoramento com universidades ibero-americanas, como com a Universidade Nacional de Tamaulias (México) ou a Técnica Particular de Loja. Do mesmo modo, na Universidade de Santiago está situado o Centro Interdisciplinário de Estudos Americanistas “Gumersindo Busto”, também com uma grande trajetória de pesquisa sobre as relações com a Ibero-América.
Como patrocinadores, a edição de 2013 teve a colaboração de C.R.D. O Ribeiro, COREN, D.O San Simón da Costa, DaVeiga e Gadis.
XII IBERCOM

De 10 a 12 de novembro de 2011, na Universidade Privada de Santa Cruz de la Sierra (UPSA), na Bolívia, aconteceu o XII Congresso IBERCOM. O tema do evento foi “Comunicação e Direitos Humanos: Processos de inclusão e exclusão na Ibero-América”. No mesmo ano da edição, a ASSIBERCOM comemorou os 25 anos da criação do “Movimento IBERCOM”
O Congresso 2011 contou com cerca de 500 participantes, entre docentes e estudantes da Bolívia, Brasil, Argentina, Colômbia, Espanha, México, Portugal e Peru.
CRONOLOGIA DOS CONGRESSOS IBERCOM
|
I IBERCOM |
1986 |
São Paulo (Brasil) |
|
II IBERCOM |
1989 |
Florianópolis (Brasil) |
|
III IBERCOM |
1993 |
Barcelona (Espanha) |
|
IV IBERCOM |
1997 |
Santos (Brasil) |
|
V IBERCOM |
1998 |
Porto (Portugal) |
|
VI IBERCOM |
2000 |
Santiago de Chile (Chile) |
|
VII IBERCOM |
2002 |
Maia – Porto (Portugal) |
|
VIII IBERCOM |
2004 |
La Plata (Argentina) |
|
IX IBERCOM |
2006 |
Sevilla (Espanha) |
|
X IBERCOM |
2007 |
Guadalajara (México) |
|
XI IBERCOM |
2009 |
Madeira (Portugal) |
|
XII IBERCOM |
2011 |
Santa Cruz de la Sierra (Bolivia) |
|
XIII IBERCOM |
2013 |
Santiago de Compostela (Espanha) |
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XIV IBERCOM |
2015 |
São Paulo (Brasil) |
|
XV IBERCOM |
2017 |
Lisboa (Portugal) |
|
XVI IBERCOM XVII IBERCOM XVIII IBERCOM |
2019 2022 2023 |
Bogotá (Colômbia) Porto (Portugal) Santa Cruz de la Sierra (Bolivia)
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